Se tem um artigo que nunca vai estar em falta nesse mundo, é louco. E não louco dessa loucura normal da gente (a mais perigosa), mas louco mesmo, pinel, tantã, doidinho, esquizofrênico, surtado.
Tem aqueles que saem atirando em todo mundo – como é o caso do cara que matou 32 pessoas numa universidade americana, esta semana. Mas qualquer pessoa que ande pelas ruas de São Paulo sabe que loucos agressivos e perigosos são raros. A maioria é mansa, não faz mal a ninguém. E alguns, inegavelmente, não deixam de ser engraçados.
Minha filha freqüenta o Rio Pequeno, e outro dia estava me contando dos malucos do bairro: figurinhas carimbadas, que todo mundo conhece. Precisavam de tratamento, coitados; mas além de loucos, deram o azar de nascer pobres. E é por isso que a gente pode ver nesse bairro da Zona Oeste gente como:
Bacalhau – Esse é o mais famoso, tem até comunidade no Orkut. O Bacalhau xinga todo mundo. Bastou passar por ele que o homem solta um monte de palavrões cabeludos, com a sua inconfundível voz grossa. Vai você andando belo e formoso pelo Rio Pequeno e pronto, o Bacalhau salta na sua frente e diz: “O dono da padaria é corno, e a mulher dele é vagabunda!”. Você leva o maior susto, mas depois começa a rir.
Coitado do Bacalhau. Diz que ficou assim por causa das drogas.
A um real – Velhinha que circula pelo bairro sempre levando uma boneca debaixo do braço. E com os peitos de fora.
Poeta – O alienado mais obediente do planeta. Tudo que você manda, ele faz. Mas o que os engraçadinhos de plantão mais gostam é de lhe pedir um poema. Poeta, então, imediatamente recita versos inéditos – e sem o menor sentido.
Papapá – Tem um jeito infalível de zoar com o coitado. É só chamar ele de Papapá. O cara fica furioso.
Homem-vírgula – É de fundir a cuca de qualquer ortopedista: o Homem-Vírgula é um sujeito que tem toda a parte superior do tronco curvada para trás. Daí o apelido. Também essa vírgula é sua única forma de expressão: ele não fala com ninguém.
