quarta-feira, setembro 06, 2006

A FASCINANTE JORNADA DE CARLA MARGHERITA RUMO AO CENTRO DO UNIVERSO

Dóris Fleury

Com nome de pizza napolitana,
e maquiagem verde nos olhos,
Carla Margherita pratica na tradicional Rua Augusta,
a mais tradicional das profissões.
Percorre a calçada de minissaia
mostrando suas pernas quilométricas
e vestida em sua cor predileta:
amarelo-ovo.
Mas nem sempre foi assim.
Carla Margherita já teve casa no interior.
Dentro da casa, moravam um homem (seu marido)
e duas crianças (seus filhos).
Carla Margherita era esposa e mãe exemplar.
Aliás, exemplar sempre foi. Desde pequena
Seus pais diziam, essa menina
É um modelo. Modelo não de top model, não!
Modelo de garota comportada, ajuizada, obediente
A preferida das freiras do colégio
Da titia e da vovó.

Carla Margherita recebeu a melhor educação,
E também muita repressão.
Mamãe explicou que moça direita
Não faz certas coisas.
A não ser, é claro
Depois de casar.
Mas Carla Margherita cresceu
E ouviu coisas diferentes.
Todo mundo dava.
E o namorado a chamava de reprimida.
E aí achou que talvez devesse dar.
Já ouviram falar de prova de amor? então,
Carla Margherita deu
A prova de amor.

E engravidou.

Pobre Carla...
Teve que casar
E deixou todo mundo chateado,
Inclusive as freiras, a titia e a vovó.
Seu futuro brilhante - disseram
estava arruinado.
Carla Margherita não queria decepcionar ninguém.
Nem a família, nem o esposo, que logo descobriu
Ser um tremendo babaca, do tipo que só curte
Cerveja, sofá e televisão.
Fazer o quê? Foi à luta.
Estudou à noite, com muito sacrifício.
Deixava o filho na casa da mãe, que dizia
Você apronta, e eu seguro o rojão!
A Carla sorria amarelo...
E saía de fininho no seu Gol,.

Depois Carla arranjou um emprego
De funcionária pública, tadinha.
O chefe a enchia de serviço - e promoção, nem pensar.
E Carla descobriu as alegrias da dupla jornada...
Mesmo assim ela se esforçava,
Pra ser uma mulher modelar.
Por exemplo: se o filho pedia brinquedo,
Ela corria pra comprar.
Tadinho do menino, né? o dia inteiro sem a mãe, e nem ganha presente?
Com uma infância tão triste - pensava Carla - mais tarde ele vai se revoltar.
Chegava em casa às seis,
Fazia o jantar, dava banho nos filhos
E ainda recebia a sogra
Que vinha pra criticar.
Ela dizia que Carla Margherita
arruinara a vida do seu filhinho!
E o filhinho, esparramado no sofá,
parecia concordar.

Outra preocupação de Carla: conservar a estética,
A beleza, a aparência, a linha, essas coisas,
pro marido não reclamar.
E olhem que era um mulherão!
Lia todas as dicas de sexo da "Nova"
Mas ficava um pouco confusa:
Uma matéria mandava tomar a iniciativa,
Outra dizia pra ser recatada...
Senão o cara se assusta.

A família a essa altura já reconhecera,
Que Carla tinha um grande coração,
Pois cuidava dos pais quase sozinha
Lembrava do aniversário da sobrinha,
E aos domingos, adivinha,
Quem fazia a lasanha da mama?
Era a Carla.

Era sempre a Carla.

A Carla ia ao banco,
A Carla levava o cachorro pra passear,
A Carla chamava o encanador,
A Carla ia visitar a titia e a vovó no hospital
A Carla ia à reunião da escola
A Carla levava as crianças pras festas,
A Carla tirava segunda via, comprava, lavava, esfregava, varria, ajeitava, cuidava, trabalhava, ouvia bronca do chefe...
(E a tal promoção, nem pensar).
E à noite - olha só - a Carla ainda tinha que trepar!

Foi num dia em que a enceradeira quebrou,
O cachorro ficou com virose,
O filho trouxe um boletim medonho
O chefe mandou fazer hora extra
A irmã folgada brigou com o cunhado
E veio se instalar na sua casa
Bom, pessoal, foi nesse dia
Que a Carlinha surtou.

Carla Margherita levou todas as malas.
Não deixou nem mochila pro marido
Nem bilhete
Nenhuma explicação.
Claro que depois alguém descobriu,
O seu endereço e sua nova profissão.
Uma comissão da família foi formada,
Pra salvar a honra da Carla Margherita.
Mas ela mandou o pessoal lamber sabão.

Eu não sei porque a Carla tomou uma atitude tão precipitada
Assim tão irracional,
Eu diria até meio drástica,
Vocês não acham não?
Mas pelo menos hoje ela é feliz

Carla Margherita sempre sonhou em dormir até tarde,
Sem ouvir o maldito despertador...
Hoje dorme quanto quer.
Carla Margherita nunca mais vai lavar tapete,
Nem ouvir conversa da sogra.
Nem passear cachorro,
Nem fazer bolo pra vovó e pra titia.
Tudo isso acabou!

Mas...

Ultimamente, ali na Fernando de Albuquerque,
as meninas andaram pensando
Em fundar uma associação
Pra defender os direitos
Das trabalhadoras do sexo,
Sacou?
E Carla já se comprometeu:
Vai ser presidente honorária
Distribuir panfletos,
Falar com a imprensa
E marcar as reuniões.
No dia da primeira, aliás, as meninas,
Encerraram a conversa agradecendo,
A gentil participação da presidente,
E o cafezinho, que francamente,
Estava uma delícia!
E Carla, muito modesta,
Abaixou os olhos
E sorriu.

terça-feira, agosto 29, 2006

QUANDO DEUS FALOU COM PAULO


Dóris Fleury

Quarta-feira passada estive no lançamento de Caim, novo livro da Márcia Denser. Voltei pra casa toda contente com ele debaixo do braço; estou guardando o danado como quem guarda chocolate pra sobremesa.
Sou fã dessa escritora por várias razões. E uma delas vai parecer estranha: Márcia Denser leu a Bíblia (além de Faulkner, é claro). É mais uma escriba que se inspirou nos relatos, na linguagem poética e nos mitos bíblicos.
Não acredito em escritor que não leu a Bíblia. Na cultura em que vivemos, é impossível escrever sem essa referência. Claro que existem outras fontes importantes, como a mitologia grega. Mas só com a Bíblia já dá pra se virar bem razoável.
Portanto, olha a contradição: eu, atéia convicta, acho que todo escritor tem que ler a Bíblia. Vou mais longe ainda: é recomendável que se leia a Bíblia antes de ler o Bukowski... (Não sei se essa idéia parece muito ousada. Algumas pessoas podem se chocar com ela.)
Minhas passagens prediletas da Bíblia estão no Novo Testamento. O Velho Testamento têm histórias fantásticas, mas filosoficamente não dá pra levar a sério. Deus, nesses livros, é um sujeito terrível, mau, vingativo. Vejam, por exemplo, a atitude d’Ele na própria história de Caim e Abel: os dois sacrificavam a Deus, mas os sacrifícios de Caim "não agradaram" o Todo Poderoso. Não agradaram por quê? Ele não gostou da marca do incenso? O carneiro 'tava duro? Vai saber. O Deus do Velho Testamento é assim: caprichoso, arbitrário, imprevisível.
Já o Deus do Evangelho tem mais coerência. Simpatizo com várias coisas que Ele diz através do Seu filho. O Sermão da Montanha, por exemplo: as imagens são bárbaras. E grana e bens materiais são mesmo uma merda, corrompem etc. Jesus é radical pra caramba, um figuraço: entra no templo e expulsa os vendilhões de chicotinho em punho. Anda pela Galiléia com um bando de pescadores pobres e ferrados. Diz que é mais fácil passar um camelo numa agulha do que um rico entrar no Reino dos Céus. Etc.
Simpatizo até com as passagens que nos parecem mais difíceis de digerir - como a história de oferecer a outra face aos inimigos.
Nossa primeira reação, quando ouvimos essa frase, é de estranheza e até de revolta: eu, hein? Mas considerem: a filosofia anterior era “olho por olho, dente por dente”. É isso que continua valendo até hoje; e vejam em que bela merda de mundo estamos!
Não deu certo, gente. O olho por olho, definitivamente, não deu certo.
Vai ver então Jesus estava certo. E talvez o "dar a outra face" fosse, mais do que uma proposta concreta, a imagem de um ideal a ser alcançado. A mensagem é simples: perdoe. E, se não puder perdoar, pelo menos não se vingue. Ninguém fica feliz com a vingança.
Eu sei que essa filosofia está fora de moda. Afinal, vivemos num mundo que parece ter roteiro escrito pelo Quentin Tarantino. Mas repito: não está dando certo.
Há outro momento do Novo Testamento que sempre me encantou. Meu pai gostava de contar essa história. É sobre Saulo, um judeu que perseguia os primeiros cristãos, judeus como ele. Entrava em suas casas, prendia, matava, barbarizava, sem o mínimo remorso. Nem sabia porque fazia aquilo. Aí, um dia, na estrada para Damasco (essa mesma Damasco milenar, que os americanos hoje querem invadir), Deus atingiu Saulo com uma luz fulminante. Ele ficou cego e caiu do cavalo. E foi então que o Senhor falou:
- Saulo, Saulo, por que me persegues?
Saulo - depois rebatizado como Paulo - é uma das poucas personagens do Novo Testamento que efetivamente falou com Deus. E olhem que coisa curiosa: Deus não o ameaçou, nem lhe deu uma ordem, nem sequer fez um sermão. Limitou-se a fazer uma pergunta cheia de angústia. É o Deus mais humano que a gente vê em toda Bíblia. Um Deus que poderia ter dito algo assim:
"Por que me persegues, se sou de carne e osso como tu? Por que me persegues, se nem me conheces, se nunca sentaste à minha mesa nem partilhaste do meu pão? Por que me persegues, se não te fiz nada de mal? Por que matas mulheres e crianças inocentes, que nem sequer entendem o que é a guerra? Por que destróis as nossas casas? Por que bombardeias nossas cidades? Por que arranjas pretextos fúteis para nos massacrar? Não imaginas nunca, nem por um só momento, que também sintamos dor e tristeza como tu? Por que teus generais se reúnem para planejar mais morte, mais guerra, mais destruição? Por que continuas uma guerra que só gera ódio? Por que não podemos sentar juntos e conversar como seres humanos, iguais que somos, unidos pela mesma sede de infinito e pelo mesmo destino mortal? Por que me persegues?"
Talvez, naquele momento, Paulo tenha sentido o que os psicanalistas chamam de insight - uma súbita e nova compreensão dos fatos. Uma percepção tão forte, tão devastadora, que ficou cego por um bom tempo.
É verdade que depois ele se tornou um santo ranheta, moralista etc. Não gostava de mulheres e detestava homossexuais. Foi um dos fundadores da Igreja Católica - o que não recomenda ninguém. Mas pelo menos parou de matar gente.
E isso - digam vocês o que quiserem - é sempre um progresso.

terça-feira, agosto 22, 2006

BAÚ DE ANTIGUIDADES

Dóris Fleury

Não sei se vocês sabem, mas sou uma pessoa tecnologicamente desafiada. Só agora, depois de muita hesitação, aderi ao MP3. Meu marido instalou no Linux um tocador e um software que pesca músicas na Internet. O software é bárbaro, o tocador nem tanto. Mesmo assim estou me divertindo pra burro, perdendo tempo em que podia estar escrevendo e lembrando momentos do passado que olha... só a música pra desenterrar.
A gente nasce, cresce, namora, trabalha e envelhece com fundo musical. Nossas melhores lembranças sempre vêm embaladas por guitarras, violões, pianos, baterias... Ainda mais na era da música de massa, que o tal do MP3 só vai intensificar. As gravadoras irão à falência, alertam os entendidos. Pois vai ser bem feito, pra elas pararem de despejar lixo em cima da gente, do breganejo ao pagode. Claro, dá uma pontada de remorso quando penso no artista que deixa de ganhar grana... Mas tenho uma certa moral pra falar isso.
Se você está lendo essa coluna, é porque acessou gratuitamente um site onde exponho um produto que me custou tempo e trabalho. E aliás, se está gostando da brincadeira, entre em www.escrevinhadora.com.br, meu site de ficção, e leia outros textos. De graça.
Mas deixando de conversa séria. Não entrei no MP3 para ouvir as últimas novidades da música de vanguarda. Longe disso. Em vez disso, estou zapeando a Internet em busca de músicas da época em que eu era garota (faz muuuuito tempo). Todo dia encontro umas preciosidades que já tinha esquecido. Vejam só a lista do meu tocador:

Staying Alive (Bee Gees) - Podem rir de mim, eu não me importo. Também usei aquelas meinhas de lurex brilhantes e fui rebolar em discotecas. Assisti Os Embalos de Sábado à Noite. Três vezes! Não me sinto orgulhosa disso. Minha única justificativa é que todo mundo fazia a mesma coisa. E a trilha sonora do filme era ótima para dançar.
Tá bom, eu confesso: até hoje acho o John Travolta um gato.

Maybe this time - da trilha sonora de Cabaret (Liza Minelli) - Cara, vocês não sabem. Puuuta cantora. Maravilhosa. Um vozeirão embalando uma fragilidade, uma vulnerabilidade... Essa aqui é de chorar. Emoção genuína.
Talento não nasce em árvore, por que as pessoas jogam fora desse jeito?

Blue Jeans (David Bowie) - Essa é um pouquinho mais recente, 84, 85, por aí. Me lembra meu cunhado, o disco era dele. O Jacques adorava David Bowie, rock, livros, Matemática. Foi embora muito cedo. Dá nó na garganta até hoje.

Sweet Painted Lady (Elton John) - Pra vocês terem idéia de como sou antiga. Essa música foi lançada em 72, por aí. Ninguém desconfiava que o Elton John era gay. Nem ele, rá rá! que levou um tempão pra sair do armário. Eu tinha uns dez anos e achava linda. Ainda acho. A sweet painted lady é uma puta.

I love a man in an uniform (Gang of Four) - Época de faculdade. Eu tinha uns chapinhas (um deles depois virou marido), que me mostraram essa música. A banda britânica é muito legal, eles estiveram outro dia no Brasil. Esses caras e gente como o Clash (the only rock'n´roll band that matters) são a cara da minha geração. Mostram que é possível ser politizado sem ser chato.

Dark Horse (George Harrison) - Gente. Que merda viver num mundo onde só tem dois Beatles vivos!

For once in my life (Gladys Knight and The Pips) - Essa eu garanto que ninguém nunca ouviu falar. Uma cantora da Motown. Pega esse sucesso do Stevie Wonder, musiquinha banal, e estraçalha. Eu tinha uns dez anos, era tema da novela Carinhoso. A mocinha era a Regina Duarte e o galã era o Marcos Paulo! O Marcos Paulo era gato! A novela era em preto-e-branco! Alguém me traz uma cadeira de balanço e uma bengala, por favor...

I will survive (Gloria Gaynor) – Ouvi pela primeira vez no verão de 79, voltando da praia. Sucesso do finzinho da era das discotecas que virou hino gay. Quero ver quem consegue ficar parado!

With a little help from my friends (Joe Cocker) - A cara da geração antes da minha. Não leiam volumes sobre a década de 70: ouçam essa música. Nessa interpretação.

You are my everything (Diana Ross e Marvin Gaye) - Sem palavras, gente. Sem palavras. Tenho outra vez onze anos e estou no Colégio São José, em Bauru. Fora os livros, a única saída da mediocridade são vozes como essas. Esse pessoal me salvou a vida.

Sitting on the dock of the bay (Otis Redding) - Eu tinha uns cinco, seis anos, e ouvia no rádio da empregada. Não entendia uma palavra de ingles. Não sabia porque aquela música, aquela voz, me deixavam tão triste. Hoje eu sei:

Sitting here resting my bones
and this loneliness won't leave me alone.
Two thousand miles I roamed
just to make this dock my home...


Pois é, gente. Fico aqui ouvindo essas músicas, o tempo vai passando, o trabalho fica por fazer... o MP3 é pior que a madeleine de Proust. E olha que ele escreveu um livro de sete volumes.
Melhor eu parar por aqui.

terça-feira, agosto 15, 2006

UM CONVITE









Acima, o animal
marítimo que inspirou
essa página. Ela
vive na Patagônia,
já foi convidada a
participar do blog,
e só não aceitou porque
está muito ocupada
discutindo a relação
com seu marido otário.


Que cansaço essa história de escrever blog sozinha! E como se um não desse trabalho suficiente, eu fico inventando outros. Pior ainda: convido você, leitor, a participar desse blog.
Como? É, é isso mesmo. Esta semana estou inaugurando o blog "Eu, Otária":

http://www.euotaria.blogspot.com/

com o depoimento da fascinante, inteligente e bela otária Amanda Vieira, que mora em Brasília e é jornalista.
Façam uma visitinha. Todos estão convidados a participar, como explicado no texto abaixo:


Você, aí. Desculpe a pergunta: você por acaso é mulher?
Bom... da última vez que olhei...
Tem medo de bicho-papão?
O quê??!!
Eu perguntei: tem medo de bicho-papão?
Passei da idade, né?
Não se ofenda, foi só uma pergunta. Mas agora que já passou da idade do bicho-papão - do que você tem medo, hein?
Bom... tenho medo de perder o emprego, apesar de me esforçar tanto. De criar ruga, depois de gastar tanta grana com cosmético. De engordar, mesmo fazendo dieta. De ficar sozinha, depois de anos bancando a gueixa pro meu marido, namorado, ou seja lá o que for. Dos meus filhos se meterem em encrenca, apesar de todo esforço que fiz pra educar esses moleques. De...
Tem medo de chifre?
Chifre? Demais, menina. Demais. Perco até o
sono.

Em resumo, você tem medo de bancar a otária?
Exatamente, você tocou no ponto psicológico!! Tenho medo de ser otária, babaca, tonta, idiota, retardada. É, meus medos se resumem a isso. Meu terapeuta até me disse que...
Um momento. Estamos sem tempo aqui. Vou resumir a proposta: você que escreve, que é uma mulher inteligente etc - você gostaria de participar de um blog?
Mais um?
Esse é diferente.
Diferente como?
Pra começo de conversa, tem data marcada pra começar e acabar.
Já é um alívio, assim não fico escrava dessa bosta.
Olha a linguagem, pô.
Desculpaí.
O nome do blog é: “Eu, otária”.
Interessante.
Não é um diário, mas sim um relato de experiências pessoais. Será feito por escritoras. Mas elas vão botar a cara lá, com retrato e tudo. Vão escrever um texto pessoal. Tem que ser baseado nas próprias experiências, entende?
Nas minhas próprias experiências de...
Otária.
Ou seja, eu boto minha cara, meu retrato ali na Internet e assino embaixo: “Fulana de Tal, otária” ...
Você pegou o espírito da coisa, querida.
Mas o texto tem que ser estritamente pessoal?
Pode enfeitar um pouco, dar uma romanceadinha, mas seu compromisso básico é partir da experiência própria. Se expor um pouco. Dar a cara pra bater. Daí um blog, e não um site literário todo bonitinho. Uma por semana.
Homem não entra?
Não. Nada contra, mas eles não entram.
Tem post?
Claro que sim. E o post convida os leitores a exporem suas experiências enquanto otários, também. Se pintar alguma interessante, a gente publica.
Mesmo se for de homem?
Nesses casos a gente abre uma exceção.
É... a idéia tem um certo charme.
Você topa?
Vou pensar.
Qualquer coisa, dê uma olhadinha nessa página:

http://www.euotaria.blogspot.com/

e me manda um e-mail: doris@completo.com.br