- Mas é muito cedo!
- Depois chegam mais escritores, Megan.
- But you’re my favourite!
Olha que bonitinha.
A experiência aqui teve saldo positivo: estou saindo com o meu romance debaixo do braço, praticamente pronto. Sem dúvida alguma a Ledig House me deu espaço e tranqüilidade para trabalhar.
O hotel que reservei aqui em Nova York se chama Marrakesh e fica na Broadway com 103. Não é ruim não, um tantinho claustrofóbico mas de forma geral OK.
Hoje fiz dois grandes passeios: no Greenwich Village, que foi ótimo, o bairro é um tesão, e também na Columbia University. Nesse último lugar fiquei um tanto triste, me deu um bode...Sempre lamento meus anos de universidade, que poderiam ser melhor aproveitados se eu descobrisse logo que o meu negócio era escrever. A USP é extremamente cruel com seus alunos. Jogam a molecada lá dentro, e eles que se virem. O que a burocracia da USP mais quer é se ver livre logo dos caras. “Puxa, a universidade é tão bacana! pena que tenha alunos, né?” O aluno é um empecilho, um pé no saco. Todo mundo torce pra ele pegar logo o diploma e sair correndo.
Os professores querem morrer mas não querem dar aula pra graduação.
Aqui nos EUA você sente um cuidado, uma atenção maior com o estudante, que afinal das contas é jovem e ainda está se encontrando. Tem serviço social pra acompanhar o cara; e o que é mais importante ainda, ele é orientado nas suas escolhas profissionais. E não precisa decidir nada correndo, vai fazendo as matérias que mais lhe interessarem. Tem professores para orientá-lo. Tem programas para ajudar quem quer escrever. Imagine se eu tivesse isso na minha época.
Passei os quatro anos de USP tão deprimida e confusa que nem conseguia pensar no que estava fazendo.
Começar a escrever com vinte anos, e não com 35, teria feito uma puta diferença pra mim...
O primeiro dia aqui foi legal, mas um tanto confuso, perdi muito tempo no metrô. Amanhã quero deixar meus passeios bem planejados para não perder tempo.

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